Showing posts with label Em busca do carneiro selvagem. Show all posts
Showing posts with label Em busca do carneiro selvagem. Show all posts

Friday, December 14, 2007

Haruki Murakami

Em busca do carneiro selvagem, Haruki Murakami, Casa das Letras, 2007

Dança, dança, dança, Haruki Murakami, Casa das Letras, 2007

Tenho o hábito de desconfiar de grandes sucessos de venda nas grandes superfícies comerciais, grandes grupos e quejandos. Essa desconfiança não impede que dê uma vista de olhos ao livro em questão, até pelo contrário - normalmente aguça a curiosidade e lá estou eu a folheá-lo quando este chega a esta modesta mas e séria "superfície". Assim aconteceu com Kafka à Beira-mar, de Haruki Murakami, quando este foi editado em Portugal com a chancela da Casa das Letras. A sensibilidade do momento levou-me a não entrar na história em que animais caem do céu e se estatelam no chão derramando sangue por todo o lado. Não sei se estou enganado, mas a imagem encontrada numa página aberta ao acaso afligiu-me e não iniciei a leitura. O "calhamaço" foi posto para o lado.
Posteriormente saiu Em busca do carneiro selvagem e lá iniciei o ritual para ver se era desta que descobria o autor japonês tão aclamado internacionalmente. Iniciei o ritual e continuei... até ao fim.
Com um título estranho, o livro não o é menos. Entrando por territórios kafkianos, Murakami prende-nos com um sistema de "pega e larga" - quando a história começa a arrefecer, lá vem mais um motivo para continuarmos a desbravar as suas incursões tantas vezes oníricas e inesperadas.
Já perto do fim de 2007 sai Dança, dança, dança e pronto! Lá peguei no livro, agora mais confiante.
Saindo do ambiente provinciano, de campo, Murakami puxa-nos, agora, para uma vida mais urbana com inúmeras referências musicais de época não largando, no entanto, o esquema do livro anterior. Aliás, uma ou outra vez, ao introduzir personagens na história, abstém-se de as caracterizar, remetendo-nos para isso, para Em busca do carneiro selvagem. Não apreciei isso porque não gosto de sagas e, à primeira abordagem do género, é o que parece que Murakami prepara. Mas não. Quem não leu o livro anterior bem pode ler este sem perder nada.
Em qualquer das obras, o autor transporta-nos - e é disso que gosto quando leio um livro - tira-nos do quotidiano para dimensões só possíveis na imaginação e no sonho. E não andamos todos tão necessitados disso?
"Ponho-me a pensar qual o sentido de escrever o que escrevo. Antigamente não era assim. O mundo era mais à medida dos homens. Assistia-se a uma epécie de reacção, tomávamos o pulso às coisas. Uma pessoa sabia sempre o que estava a fazer - pelo menos gosto de pensar que sim. Sabia o que os outros queriam. Além de que os órgãos de comunicação social existiam a uma escala mais humana. Era quase uma aldeia, onde toda a gente se conhecia" (Dança, dança, dança, pág. 245).
Acho que, um dia, ainda vou ler o Kafka à beira-mar...