Friday, October 30, 2009

Os Dias de Saturno

Os dias de Saturno

“Assustada, sentiu um mau presságio a escorrer-lhe pelas pernas” (p. 15).

É com esta frase que Paulo Moreiras termina o primeiro capítulo do seu mais recente romance, Os Dias de Saturno, editado por Maria do Rosário Pedreira na Quidnovi.

Depois de “A demanda de D. Fuas Bragatela”, Paulo Moreiras consegue, mais uma vez, encantar-nos com um romance picaresco, cuidadosamente escrito numa linguagem onde abundam termos de antanho mas perfeitamente legível na actualidade.

Fruto, certamente, de muito esforço, estudo, investigação mas, julgo, acima de tudo, olhos e ouvidos atentos ás histórias que pululam tantas vezes nas conversas com quem nos cruzamos, à volta de uma ginjinha ou, quiçá, de uma perdiz estufada.

São poucas as duzentas páginas para o prazer que desfrutamos numa leitura que parte logo do trote para o galope.

Não é, em absoluto, um livro esotérico, apesar das bastas referências ao assunto, aliás, um segundo tema principal já que o primeiro é mesmo o amor. E a vida!

Com Paulo Moreiras visitamos as quitandas do Rossio do século XVIII, cheiramos a putrefacção nocturna das ruas lisboetas, entramos nas tabernas e embebedamo-nos até ao duelo.

Na badana da capa surge-nos a foto do autor com um sorriso aberto. Os Dias de Saturno, apesar do sério de que trata, é um livro assim.

Saturnino, do romance, nasceu com uma marca no peito. Paulo Moreiras, com este segundo romance, confirmou uma marca de qualidade literária.

Venham mais! Se possível, com uma ginjinha!

Veja AQUI mais informações sobre o livro e leia o primeiro capítulo.

O Dias de Saturno, Paulo Moreiras, Quidnovi, Setembro 2009.

APRESENTAÇÃO DE
OS DIAS DE SATURNO
COM A PRESENÇA DO AUTOR
PAULO MOREIRAS
LIVRARIA A DAS ARTES
SINES
28 NOVEMBRO 2009
17,00h.

1 comment:

Marco A. said...

O mais interessante de acompanhar blogs que falam sobre literatura, e que são bons de se ler é a descoberta. Nunca havia ouvido falar de Paulo Moreiras, além de que a história por entre as tabernas das ruas de Lisboa deve ser fascinante.

Abraços Marco