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Por mim, fiquei sem palavras... ando há dois dias a ouvir tudo de Chopin, a falar de Chopin a toda a gente, a apetecer-me ler George Sand. Enfim, ensandecido com o livro!
Leitura e opinião
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Os dias de Saturno
O Deserto sem Saída
Leite Derramado
Manhattan Transfer
Barroco Tropical
A Passageira
A infância é um território desconhecido
O Gato de Uppsala
O Segredo de Leonardo Volpi, Fernando Pinto do Amaral, D. Quixote, Março 2009
Chiquita, Antonio Orlando Rodríguez, Quidnovi, Fev 2009
Nocturno indiano, Antonio Tabucchi, Dom Quixote
O Sétimo Véu, Juan Manuel de Prada, D. Quixote, Março 2009
O Tigre Branco, Aravind Adiga, Presença, Março 2009
Myra
Escrever depois de Auschwitz
Viagem marítima com Dom Quixote
O Jogo do Anjo
AvóDezanove e o segredo do soviético
Já ninguém morre de amor
Os Retornados. Um amor nunca esquece.
Comboio nocturno para Lisboa
Salão Portugal,
Vítor Serpa, D. Quixote,
Fevereiro 2008
“A minha vida dava um livro”. Quantas vezes já ouvimos ou, quiçá, dissemos esta frase? Depois… Depois, falta-nos o tempo, a arte, a imaginação mas, sobretudo, a memória. Quando paramos para pensar no passado distante chegamos à conclusão que nos lembramos quase sempre das mesmas coisas – as nossas coisas.
Vítor Serpa vai mais longe. Para além de se lembrar dele e dos seus, recorda-se dos outros, dos locais, dos usos, da aldeia que era o seu bairro de Belém, em Lisboa. Lembra-se, também, do modo e modas de falar. Há muitos anos que me esqueci de termos como “o cano das pernas”. Pois, então! Uma canelada podia partir o “cano” da perna!
Nascido em 1951, o jornalista que frequentou Medicina, agora director de um jornal desportivo, passou em Lisboa o que passei numa vila pequena, quase aldeia grande. As diferenças sociais, o paternalismo, a varina de chinela no pé, as vizinhanças, o encanto dos bonecos na montra da loja (da Dona Vitória). E que imaginação Vítor Serpa coloca nas suas descrições!... Não se esquecem facilmente personagens como o Senhor Fonseca que, até à morte, viveu uma vida dupla de droguista e inventor de cores. Até ao fim tentou combinar pós para encontrar “a cor perfeita”. Este conto, o décimo terceiro dos quinze que completam o livro, é um poema.
Depois há os pretos da época: Matateu, o preto da Casa Africana e o preto das queijadas de Sintra. Cada qual referência geo-estratégica. Leila, a menina do trapézio por quem o protagonista se apaixonou, até que uma bela manhã o circo desapareceu, como que por encanto…
“O Salão Portugal era a cara chapada do país. Pequeno mas bonitinho. Aqui e ali com um estilo pesado de mármores e veludos, próprios à memória histórica de um passado grandioso. O povo na plateia, lá em baixo, cadeiras de madeira desconjuntadas, portas abertas ao intervalo para um pátio térreo, nunca sol, muros altos sem horizontes à vista, um odor acre de urinas misturadas de homens e de burros. A classe media no balcão, mais a nível, cadeira estufada, bufete para damas e cavalheiros, lustres no tecto, paredes iluminadas com imagens apetitosas da Garbo, da Bacall, da Loren; do Bogart, do Brando, do Curtis. A classe alta, sempre mínima e familiar, nos camarotes. Gordas mulheres, gordas crianças, cus largos nos cadeirões de estilo, veludos rubi, o espaço delimitado, protegido, insular, por isso distante” (pp.36-37).
O Salão Portugal era o País. Este livro é a memória. A boa memória. Do país e da nossa infância.

A mulher certa, Sándor Márai, D. Quixote, 2007
Em busca do carneiro selvagem, Haruki Murakami, Casa das Letras, 2007
Já perto do fim de 2007 sai Dança, dança, dança e pronto! Lá peguei no livro, agora mais confiante.
A história do senhor Sommer, Patrick Süskind, Ilustrações de Sempé, Sextante, 2007
O vírus da vida, J. P. Simões, Ilustrações de André Carrilho, Sextante, 2007
Rafaela, Margarida Fonseca Santos, Presença, 2007
Ravel, Jean Echenoz, Sextante, 2007
O último minuto na vida de S., Miguel Real, Quidnovi, 2007
Cal, José Luís Peixoto, Bertrand, 2007
Laura e Julio, Juan José Millás, Quetzal, 2007
Ainda não tinha escrito sobre nenhum dos livros de Eric-Emmanuel Schmitt (E-ES), o que é uma injustiça. De tanto os recomendar, de tanto falar nos livros, a opinião escrita parece tornar-se desnecessária, sendo sucessivamente adiada. Agora, com a publicação de Odette Toulemonde, já não há desculpa que valha.
Acabamos de ler “Óscar e a Senhora Cor de Rosa” e não podemos deixar de ficar incomodados perante a força de um moribundo, ainda que criança, fazendo-nos envergonhar das trivialidades com que ocupamos o dia-a-dia.
“O Senhor Ibrahim…”, bem como “Óscar…”, que escreve todos os dias uma carta a Deus colocando-lhe os seus problemas e dúvidas de doente terminal, não são livros religiosos nem sobre religião. Esta aparece-nos como que sendo um personagem invisível, embora presente.UMA DAS CENAS MUSICAIS DO FILME:
Assassinos Escondidos, Robert Wilson, D. Quixote, 2007
As lendas do Quarteto 1111, António Pires, Ulisseia, 2007
Niassa, Francisco Camacho, Babilónia, 2007
Último Amor, Christian Gailly, Asa, 2007
A Imperfeição do Amor, Joaquim Mestre, Oficina do Livro, 2007

Vigaristas, ladrões & assassinos, Raymond Hesse, & Etc, 2007
O vendedor de passados, José Eduardo Agualusa, D. Quixote, 2004
O Tesouro, Selma Lagerlöf, Cavalo de Ferro, Maio 2007
Cinco balas contra a América, Jorge Araújo e Pedro Sousa Pereira, Oficina do Livro, Abril 2007
O Tibete de África
A Trégua, Mario Benedetti, Cavalo de Ferro, Abril 2007
Os da minha rua, Ondjaki, Caminho, 2007
A História do Amor, Nicole Krauss, D. Quixote, 2006
A Vida Aventurosa de Sparrow Drinkwater, Trevor Ferguson, Cavalo de Ferro, 2007
Requiem para o navegador solitário, Luís Cardoso, D. Quixote, 2007
Hotel Memória, João Tordo, Quidnovi, 2007
Budapeste, Chico Buarque, D. Quixote, 2003
Cemitério de Pianos, José Luís Peixoto, Bertrand, 2006





