
Uma fazenda em África
João Pedro Marques
Porto Editora, Fevereiro 2012
“Mesmo quando se tinha sucesso – como era o seu caso - , faltava geralmente o que de facto interessava. E às vezes essa conclusão batia uma pancada dura no seu coração e vinha-lhe uma grande tristeza, que procurava arrumar atrás de uma pragmática: a vida era assim mesmo e todos tinham de se ajustar ao que era possível, extraindo disso tudo o que pudessem” (pp. 428-9).
É a história de uma colonização. Da fundação de uma cidade. Não é um romance histórico, se é que pode haver essa categoria na literatura .É, sim, literatura. E da boa.
João Pedro Marques, depois de “Os dias da Febre”, publicado em Março de 2010, e que situava o romance “em 1857, quando Lisboa estava a ser atingida por uma epidemia de febre-amarela que mataria mais de 5 mil pessoas”, surge agora com “Uma fazenda em África”, romance que acompanha a vida e as histórias dos primeiros colonos numa terra brutal, trazendo à superfície os sucessos e desaires, os perigos e as surpresas da sua fixação num território inóspito e selvagem”.
Mas, por ser assim, não quer dizer que esse território fosse virgem de seres humanos. Eles já lá estavam há muito tempo, com as suas tradições e as suas hierarquias.
A crueldade não é palavra inventada pelos colonizadores, embora esses dela dessem bastante uso. Disso é prova as tribos de cortadores de cabeças ou o exército de amazonas. Entre os portugueses, facilmente odiamos, por exemplo, José Joaquim Costa, que quebra a harmonia possível dos primeiros colonizadores quando chega, como eles, de Pernambuco com uma segunda vaga.
Mas a África está lá toda. Do rio sem água à humidade do mato. A terra vermelha. Da exuberância das celebrações até à noção de tempo – ou falta dela! Até o nome do criado que responde por Coitadinho Amigo, só possível naquele continente.
O livro de João Pedro Marques vai mais além do que uma história sobre colonização. Antes, começa por ser uma história de emigração e de luta pela sobrevivência. Pelo meio há o ser humano que ama e odeia. E o amor está presente da primeira à última página.
“Uma fazenda em África”, “baseado numa investigação histórica meticulosa e tendo como pano de fundo a colonização de Moçâmedes”, é um livro sério, escrito por um historiador profissional, com a categoria de um escritor profissional.
Sines, 7 de Fevereiro de 2012
Joaquim Gonçalves
JOÃO PEDRO MARQUES VAI ESTAR NA LIVRARIA A DAS ARTES NO DIA 3 DE MARÇO, ÀS 16 HORAS, PARA APRESENTAR E AUTOGRAFAR O LIVRO.





























