Sunday, December 3, 2006

Ao contrário das ondas


Ao contrário das ondas, Urbano Tavares Rodrigues, D. Quixote, 2006


Das cerca de quarenta obras de ficção de Urbano, confesso que, até agora, tinha lido duas ou três. "A noite roxa", por exemplo, que foi, julgo, o seu terceiro romance - de 1956, (belo ano!) publicado nos livros de bolso da Europa-América, colecção inovadora na época em que surgiu e que, dado o preço, me possibilitou inúmeras leituras.
Este "Ao contrário das ondas" reflecte, uma vez mais, a limpidez das ideias do autor, traduzidas nos apontamentos locais e de história recente. Com subtileza mas sempre presente a preocupação/crítica/constatação social.
Um belo retrato dos nossos dias que, daqui a uns anos, não deixará de ser uma ilustração da história por que estamos a passar.
Os revolucionários que dão em ministros do lado oposto. Os filhos que "limpam" a casa dos pais para o vício. Os amores escondidos por quem menos hipótese tem de retribuir.
Urbano com ternura. Belas metáforas, por vezes a deixar-nos adivinhar que, se coloca mais uma, já é em excesso. Mas vai aos limites sem os ultrapassar. Algumas páginas mais maçadoras no terceiro quarto do livro mas, ultrapassadas estas, não paramos até ao fim.
As capas dos livros, por vezes, levam-me a abri-los e, eventualmente, lê-los. A capa deste - uma pintura de Monet - não deixa de ser bonita. Não entendo é a sua relação com o livro.

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