Tuesday, September 13, 2016

O meu nome é Lucy Barton




O meu nome é Lucy Barton
Elizabeth Strout, Alfaguara, Setembro 2016

Nunca tinha ouvido falar da senhora, confesso. Segundo a apresentação na badana, “[…] é uma das romancistas mais aclamadas da actualidade”.

Venceu o Prémio Pulitzer, em 2008, com o romance Olive Kitteridge mas a profusão de prémios aliada à idade baralha-me a mente e, muitas vezes, confundo tudo.

Não tendo fixado o nome da autora, li sobre O meu nome é Lucy Barton no suplemento Babélia, do El País, quando o livro saiu em Espanha. Despertou-me curiosidade e, como acontece amiúde, fiquei com a pulga atrás da orelha à espera do lançamento em Portugal não me tendo, desta vez, a memória atraiçoado.

Ora, não tendo o nome da autora devidamente encaixado na memória e estando a ler um livro que tem, também, um nome no título, não raras vezes, durante a leitura, fui à capa confirmar quem era quem quando durante a prosa era mencionado um nome de mulher.

É que o romance tem como personagem principal e narradora uma mulher que, numa cama de hospital, fala com a mãe, com quem perdera há muito o contacto, sobre reminiscências das suas vidas, e connosco sobre o livro que escreveu.

Tudo isto baralha o leitor incauto ao ponto de o levar a pensar que se trata de um romance autobiográfico. Parece mas, certamente, não o será. É, sim, um livro muito bem escrito sobre relações humanas, família, o fio da navalha de uma cama de hospital.

Não sigo as opiniões generalizadas da comunicação social internacional apostas na badana da contracapa, bem como a apresentação genérica do editor de que se trata de um livro sobre as relações entre mães e filhas.

Na realidade, as conversas entre Lucy Barton e a sua mãe, expondo as suas relações, não são mais do que o fio condutor que nos deixa inúmeras ramificações para outro tipo de relações – familiares, de amizade e da pessoa com o próprio mundo.

Elizabeth Strout, em cerca de cento e setenta páginas, escreve-nos o mundo a partir de uma cama de hospital. Se o passado e os amigos vão sendo relembrados, a família, apesar de todos os contributos do mundo para a sua desagregação, tende a vingar, mesmo que de uma forma estranha.

Foi semifinalista do Booker Prize mas podia ter ido mais além. O meu nome é Lucy Barton, da americana Elizabeth Strout, é um livro que recomendo aos meus amigos.

Sines, 13 de Setembro de 2016
Joaquim Gonçalves 

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